Uma operação pode parecer simples quando é observada no território onde aprendeu a trabalhar. Os pedidos encontram os interlocutores habituais, as exceções são reconhecidas e algumas dificuldades resolvem-se através de relações já construídas. Ao tentar repetir a operação noutro lugar, essas condições podem deixar de estar disponíveis.
Num exemplo construído, uma equipa pretende levar um serviço a uma localidade diferente. A apresentação descreve tarefas e responsabilidades, mas não mostra que determinadas respostas dependiam do conhecimento informal de uma pessoa. O novo grupo recebe o procedimento e encontra dificuldades que o documento não permite compreender.
Antes de concluir que o território não está preparado ou que a equipa não seguiu o modelo, convém identificar essas dependências. Que trabalho era realizado sem aparecer na descrição? Que informação era conhecida por hábito? Que contacto resolvia uma passagem difícil? As respostas ajudam a separar uma capacidade da organização de uma condição que existia naquele contexto.
A repetição pode exigir formação, outra distribuição de responsabilidades ou a construção de relações novas. Isso não invalida automaticamente o modelo. Torna mais preciso o trabalho necessário para o utilizar. Uma proposta de expansão ganha consistência quando explica o que leva consigo, o que precisa de construir no destino e que hipótese continuará a ser testada depois de começar a trabalhar. [S1]
Lucas Atanazio é empresário e fundador da ATNZO.