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Empreendedorismo

Replicar antes de crescer: o método que transforma um pequeno negócio numa escola de empresários

Abrir a segunda loja é fácil de anunciar e difícil de sustentar. Para o empresário Lucas Atanazio Vetorasso, fundador da ATNZO, Portugal precisa de medir a replicabilidade dos seus negócios antes de celebrar a escala, e essa medida tem consequências diretas para o emprego jovem.

Redação Franchising Portugal · Edição de 27 de setembro de 2026
Lucas Atanazio Vetorasso, retrato de estúdio do press kit.
Lucas Atanazio Vetorasso, O Maestro. Retrato do press kit de 17 de setembro de 2026. Sem local, data ou evento atribuídos.

Todos os anos abrem em Portugal muitos pequenos negócios com a mesma promessa implícita: se correr bem, abre-se outro. O café que enche ao domingo, a padaria com fila à porta, o serviço técnico que não tem mãos a medir. A segunda unidade parece o passo natural. Muitas vezes é o passo que expõe tudo o que a primeira escondia.

É neste ponto que Lucas Atanazio Vetorasso, empresário, escritor e fundador da ATNZO, escritório internacional dedicado à criação, formatação e expansão de franchisings, coloca uma das teses da sua agenda pública: "Portugal precisa de medir a replicabilidade antes de celebrar a escala." A frase consta do seu press kit, ao lado de outra que a completa: "A inauguração é o começo da auditoria, não a prova do sucesso."

O que é, afinal, um negócio replicável

Replicável não é sinónimo de grande nem de famoso. Um negócio replicável é aquele cujo funcionamento pode ser explicado, ensinado e verificado sem a presença constante de quem o criou. Na prática, isso obriga a responder a perguntas pouco glamorosas. Como se abre e fecha o dia? Como se escolhe e forma a pessoa nova? Quanto custa, de facto, cada venda? O que acontece quando o fornecedor falha ou o cliente reclama? Onde está escrito o padrão?

O press kit de Atanazio propõe essa conversa às empresas e associações com uma pergunta direta: "O que precisa de mudar na organização antes de abrir uma nova unidade ou entrar noutro mercado?" A resposta raramente está no marketing. Está nos processos, na formação e na margem, que são as partes do negócio que o cliente não vê.

O franchising é a forma mais conhecida de replicação, mas não a única. Pode replicar-se através de unidades próprias, de licenças, de cooperativas ou de redes de parceiros. O que todas partilham é a exigência de transformar experiência em conhecimento transferível, um dos eixos de trabalho descritos no press kit do empresário. Em 2023, num texto intitulado "Começo meu próprio negócio ou abro uma franquia?", Atanazio já tratava a escolha como uma decisão sobre método e não sobre moda.

Crescer ou inchar

A distinção que o empresário faz entre crescimento e inchaço ajuda a perceber porque é que tantas expansões falham. "É importante saber a diferença de empresas crescendo e empresas inchando", escreveu num dos seus artigos de 2023. Uma empresa que abre três unidades sem ter escrito como funciona a primeira não triplicou o negócio; triplicou a dependência do fundador, que passa a correr entre lojas a apagar fogos.

Nos negócios replicáveis, a expansão faz-se ao ritmo da capacidade de ensinar. Cada nova unidade só abre quando existe alguém formado para a gerir e um padrão que permita perceber, à distância, se as coisas estão a correr bem.

Uma porta de entrada para os mais novos

O tema ganha outra dimensão quando se olha para o emprego jovem. Entre os ângulos que o press kit propõe para juventude e formação está a pergunta: "Que competências ajudam um jovem a decidir, negociar e transformar uma ideia num projeto viável?"

Um modelo de negócio replicável responde a parte dessa pergunta de forma muito concreta. Para um jovem que quer empreender, operar um modelo já testado reduz o risco de começar do zero, oferece formação estruturada e ensina, na prática, o que é gerir pessoas, stock e margem. Não substitui a criatividade; dá-lhe uma base. Muitos empresários fazem assim o percurso: primeiro aprendem a operar bem o modelo de outra pessoa, depois percebem porque funciona e só então criam o seu.

Atanazio resume a seriedade da decisão numa das 15 teses publicadas no seu dossiê de pautas: "Empreender não é abrir uma empresa; é colocar o capital da vida numa decisão que não aceita teatro." Para quem começa com poupanças da família, a diferença entre um negócio escrito e um negócio improvisado é a diferença entre um risco calculado e uma aposta.

Do negócio ao território

A replicabilidade tem também leitura municipal. Um concelho que consegue gerar negócios documentados, com formação associada, cria empresários locais em vez de apenas receber lojas de fora. É esse o raciocínio que atravessa a proposta de bases territoriais para PME, negócios replicáveis e emprego jovem que o ecossistema ATNZO / O Maestro: 2030 tem vindo a estruturar para municípios portugueses, no contexto dos instrumentos do Portugal 2030.

Uma das teses de Atanazio lembra que o impacto de um negócio vai além da faturação: "Uma loja pode vender hambúrgueres; ou pode devolver um ponto de encontro a uma cidade." Replicar bem é garantir que a segunda, a terceira e a décima unidade mantêm esse papel, e não apenas o logótipo.

A pergunta antes da fita

Para empresários, investidores e autarcas, a lição é a mesma. Antes de cortar a fita da nova unidade, vale a pena perguntar se alguém que nunca conheceu o fundador conseguiria abri-la amanhã e mantê-la aberta daqui a um ano. Se a resposta for sim, há um modelo. Se for não, há apenas uma boa história, e as boas histórias não se replicam sozinhas.

O press kit público de Lucas Atanazio Vetorasso reúne biografias, fotografias e os temas disponíveis para entrevistas e conferências.

Fontes e documentação

  1. Press kit público · Lucas Atanazio Vetorasso — Biografias, fotografias e contactos para imprensa
  2. Lucas Atanazio · O Maestro · Press kit
  3. 15 pautas · Lucas Atanazio